sábado, 30 de maio de 2009

Cerca de 130 mil exemplares do livro Aventuras Provisórias, do autor Cristovão Tezza, foram recolhidos nas escolas estaduais de Santa Catarina, porque a obra narra relações sexuais com detalhes picantes. A decisão foi tomada “por prudência” depois que foi constatada a existência de expressões consideradas incompatíveis com a idade de alunos das séries iniciais do Ensino Médio (de 14 a 18 anos). O assunto ganhou destaque nos últimos dias, após pais da região de Criciúma terem procurado as escolas reclamando do livro, incentivados pelas reclamações feitas em São Paulo por causa de charges que trazem palavrões em livros adotados pelas escolas.Segundo Antônio Elízio Pazeto, diretor Educação Básica do estado, o livro foi adquirido por causa da sua qualidade literária. “Eles serão redistribuídos para as bibliotecas das salas de aula de alunos adultos, principalmente dos vestibulandos”, disse.A obra consta numa lista preparatória dos vestibulares e ganhou o prêmio Petrobras de Literatura Brasileira 1987. O estado gastou cerca de R$ 1,5 milhão, R$ 11,75 por exemplar, numa licitação feita no ano passado.

Trecho polêmico:
Num dos trechos considerados polêmicos, o autor escreve “Eu broxei vergonhosamente mesmo depois de baixar a calcinha dela com os dentes (...)”.Segundo Cristovão Tezza, que é catarinense radicado em Curitiba, a obra é indicada para adultos, um retrato das gerações dos anos 70 e 80. “Eu não tenho nada a dizer. O meu crime foi escrever o livro”, disse, em tom irônico. “É uma questão de bom-senso e depende de como o professor vai trabalhar isso na escola. Mas hoje o adolescente tem acesso a coisa bem mais picante na internet e na novela das oito”, afirmou. “O meu medo é a caça às bruxas e que possam queimar livros em biblioteca”, completou.De acordo com especialistas, os governos usam critérios objetivos para adotar livros didáticos, que não podem conter preconceito e estereótipos, por exemplo. Mas no caso dos livros paradidáticos, outros pontos precisam ser avaliados, como a qualidade nas obras de literatura. “É preciso ver a adequação para a idade, mas há outros critérios em jogo, como a estética, se a intenção é trabalhar literatura. A ideia é sensibilizar o aluno para o texto literário”, diz a professora Maria José Foltran, do Departamento de Linguística da Universidade Federal do Paraná (UFPR).Para a professora Cristiane Gioppo, do setor de Educação da UFPR, livros com linguagem popular, palavrões e charges e com outros conteúdos podem ser trabalhados nas escolas, desde que haja um contraponto.
Você acha que ivros com linguagem popular, palavrões e textos eróticos devem ser retirados das escolas?


sábado, 23 de maio de 2009

Bem, esse texto foi escrito por Regis Tadeu, eu peguei de uma coluna dele no Yahoo, se alguém quiser ver outras opiniões sobre esses "bunda-moles"ta aí um link do Yahoo respostas,blz!

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090518073405AA4KGxM

Jonas Brothers:Um grande nada!

U-hu!!!", "irado!", "tá ligado?", "e aí, galera?", "com certeza!", "tipo assim...". Sei que tais expressões não são uma boa maneira de começar um texto, mas elas expressam com fidelidade o quanto termos como "rock and roll", "atitude" e "juventude" se transformaram em bolhas de sabão em um vendaval.

A vinda do Jonas Brothers ao Brasil é mais um capítulo que pessoas que levam música a sério terão que deglutir. Eu mesmo tive a preocupação de escrever este texto sem estar dominado pelo calor da fúria. No exato momento em que você está lendo estas palavras, posso afirmar categoricamente: se nosso futuro depender da "juventude" que agora idolatra os tais Jonas Brothers, pode apostar que o Apocalipse deve rolar entre quinta e sexta-feira da semana que vem...

Parece incrível, mas tudo o que a música podia proporcionar em termos de rebeldia contra o sistema opressor, de anticonformismo e de vanguarda contra a mesmice foi transformada em um vergonhoso pastel de isopor. Não há mais espaço para a famosa história do cara que não tinha outra coisa a fazer a não ser montar uma banda de rock com os amigos para amedrontar os vizinhos, comer a mulherada e fazer shows anárquicos e vibrantes. Hoje, montar um grupo virou uma atividade como outra qualquer, cujo objetivo é ganhar muito dinheiro vendendo caderno, mochila, telefone celular, adesivos e aparecer nas MTVs da vida.

Hoje, os tais Jonas Brothers são aquela bola da vez que já esteve nas mãos de grupos como o Hanson, por exemplo, por quem adolescentes histéricas se desesperam, gritam, choram, desmaiam, babam e sonham, já que os três moleques dizem que são religiosos e virgens, que guardam o "tesouro da pureza" para quando casarem com suas almas gêmeas. Porra, Deus me dê a santa paciência! Desde quando ser "artista" significa posar de bunda-mole?

Eu respondo a questão acima: desde que a MTV deixou de ser um sopro de esperança na busca por uma linguagem musical ainda mais abrangente, em que não bastava ter canções excepcionais, era preciso ter uma estética que complementasse aquilo que o artista queria dizer. O problema foi que, com o passar do tempo, aquilo que era vanguarda foi de tal forma assimilado pela indústria musical que "novidade" virou artigo de prateleira de supermercado. Deu no que deu.

Hoje, temos a massificação da mediocridade, que desova de tempos em tempos hordas de adolescentes que mal sabem se expressar em palavras, optando por gritos, expressões e pensamentos asininos, que idolatram artistas energúmenos que não cansam de lançar discos idiotizantes. Tudo embaladinho, com laço vermelho perfumado, pronto para ser consumido por uma molecada que acha que Captain Beyond era um herói de quadrinhos, para quem o Slade ou é um perfume ou o nome de um personagem do Wesley Snipes.

É provável que essa geração de babadores de ovos acabe influenciando outras posteriores. Mas isso não significa que temos que ficar esperando, como frangos em um matadouro, a substituição do binômio som/fúria por uma conformidade imbecilizante, que faz com que a garotada não se canse de gritar as expressões colocadas no início deste artigo. Não temos que nos obrigar a respeitar mulheres trintonas fingindo que são adolescentes, que aplaudem músicos com suas roupas de grife cuidadosamente rasgadas e amarrotadas. Vamos levantar a cara do prato de arroz com feijão e ver que o rei está nu!

Quando ouço o trabalho do Jonas Brothers, vejo seus vídeos e leio suas entrevistas, fico pensando: foi para isso que Little Richard e Chuck Berry criaram o rock and roll? Foi para isso que Pete Townshend quebrou suas guitarras? Para nada? Mas sei que foi por isso que Kurt Cobain estourou os miolos: para não ter que ver seus sonhos se transformarem em camisetas coloridas, para não presenciar bandas anunciando refrigerantes, para não se indignar com artistas se comportando como garçons em festa infantil para não irritar o patrocinador.

Sou de uma geração que não abaixava a cabeça frente a um "não", que derrubava a cristaleira do bom mocismo, que apedrejava as vidraças da humildade subserviente. Por isso, meu coração se enche de som e fúria quando vejo gente jeitosinha dizendo que está ensaiando com sua "bandinha" não para tocar em cima dos palcos, mas para "gravar um clipe e um DVD". Meu coração se enche de som e fúria quando vejo garotos imberbes como os tais Jonas Brothers exemplificando o que a juventude é hoje em termos de importância para a música feita de forma espontânea: um grande nada.

Regis Tadeu

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